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Burnout em executivas: quando a alta responsabilidade cobra um preço

Responsabilidade, pressão e dificuldade de desconectar podem favorecer o desgaste. Entenda como o cuidado emocional pode entrar nessa rotina.

Burnout em executivas: quando a alta responsabilidade cobra um preço

Você lidera pessoas. Toma decisões importantes. Resolve problemas. Administra conflitos. Entrega resultados.

E, muitas vezes, ainda tenta estar presente para a família, os relacionamentos e tudo aquilo que existe além do trabalho.

Por fora, você continua funcionando.

Mas quanto está custando sustentar tudo isso?

Para muitas mulheres em posições de liderança, o esgotamento não começa quando deixam de dar conta. Ele pode começar muito antes — enquanto continuam entregando, assumindo responsabilidades e demonstrando competência.

Quando a competência começa a esconder o cansaço

Um dos riscos da alta performance é aprender a conviver com sinais que deveriam receber atenção.

O cansaço vira rotina.

Dormir mal parece normal.

O almoço acontece diante do computador.

As mensagens continuam depois do expediente.

Férias são acompanhadas pelo celular.

E descansar pode provocar uma estranha sensação de culpa.

A pessoa continua produtiva e, justamente por isso, demora a perceber que alguma coisa mudou.

A pergunta deixa de ser apenas “Estou conseguindo entregar?” e passa a ser:

“Como estou me sentindo para conseguir entregar tudo isso?”

Burnout não é simplesmente estar cansada

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define burnout na CID-11 como um fenômeno ocupacional resultante do estresse crônico no trabalho que não foi administrado com sucesso.

Ele é caracterizado por três dimensões:

sensação de esgotamento ou falta de energia; maior distanciamento mental do trabalho, negativismo ou cinismo; redução da eficácia profissional.

Isso significa que burnout não deve ser usado como sinônimo para qualquer cansaço ou período de estresse.

Mas também significa que alguns sinais não deveriam ser ignorados simplesmente porque você ainda consegue trabalhar.

A executiva que cuida de tudo — menos de si

Há uma questão que merece atenção especial entre mulheres que ocupam posições de grande responsabilidade.

Além das exigências profissionais, podem existir expectativas internas difíceis de sustentar:

“Eu preciso dar conta.”

“Não posso demonstrar fragilidade.”

“Minha equipe depende de mim.”

“Agora não é hora de parar.”

E assim o cuidado consigo mesma vai sendo adiado.

Não necessariamente porque falta consciência sobre sua importância, mas porque sempre existe algo aparentemente mais urgente.

Até que o corpo e a mente começam a cobrar essa conta.

Não é apenas uma questão individual

Burnout não deve ser explicado apenas pela capacidade de uma pessoa “lidar com pressão”.

A OMS aponta entre os riscos psicossociais no trabalho fatores como cargas excessivas, jornadas longas ou inflexíveis, falta de controle sobre o trabalho, pouco apoio, conflitos entre vida profissional e pessoal e culturas organizacionais inadequadas.

Por isso, cuidar da saúde emocional não significa simplesmente ensinar uma executiva a suportar ainda mais pressão.

Também significa reconhecer limites, rever formas de trabalhar e identificar condições que estão produzindo desgaste.

Cuidado emocional também faz parte da performance

Talvez cuidar de si não exija abandonar ambição, carreira ou resultados.

Pode começar com perguntas muito mais simples:

Quando foi a última vez que você realmente se desconectou do trabalho?

Quanto da sua energia está sendo consumida apenas para continuar funcionando?

Quais limites você sabe que precisa estabelecer, mas continua adiando?

Sua maneira atual de trabalhar é sustentável por mais alguns anos?

Essas perguntas podem ser desconfortáveis.

Mas também podem evitar que a mudança só aconteça quando não houver mais escolha.

Você não precisa chegar ao limite para se cuidar

Psicoterapia não precisa começar apenas quando alguém já está esgotado.

Ela pode ser um espaço para compreender a relação com trabalho, desempenho, autocobrança, controle, limites e expectativas — e construir formas mais sustentáveis de exercer a liderança sem abandonar a própria vida.

Alta performance sustentável não é produzir cada vez mais independentemente do custo.

É conseguir construir resultados sem precisar se perder de si mesma no processo.

Se você percebe que está sustentando muitas responsabilidades, mas sente que alguma coisa começou a pesar mais do que deveria, talvez seja um bom

momento para olhar para isso com mais atenção.

Você não precisa esperar o corpo ou a mente obrigarem você a parar.

Fontes

Organização Mundial da Saúde (OMS) — Burn-out: an occupational phenomenonDefinição oficial de burnout na CID-11.

Organização Mundial da Saúde (OMS) — Mental health at workInformações sobre riscos psicossociais, carga de trabalho, jornadas, autonomia e saúde mental no trabalho.

OMS/OIT — Mental Health at Work: Policy BriefRecomendações para prevenção e gestão dos riscos à saúde mental relacionados ao trabalho.

Conteúdo educativo e informativo. Não substitui avaliação psicológica ou médica individual.

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Dr. Edgard Gonçalves · CRP 06/65814

Psicólogo clínico com mais de 35 anos de experiência. Atendimento presencial na Avenida Paulista, em São Paulo, e online em língua portuguesa.